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20-abril-2026 Ano 2

Do esporte ao luxo: a nova face da elegância

A ascensão do luxo silencioso no mundo esportivo. O que antes era mostrado por logos gigantes e cores chamativas, hoje…
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A ascensão do luxo silencioso no mundo esportivo.

O que antes era mostrado por logos gigantes e cores chamativas, hoje é marcado pelo minimalismo. Essa estética se caracteriza por apresentar a pura expressão das formas e pelo destaque à importância do processo. (…)  além de priorizar o uso de cores sóbrias, de maneira a destacar os formatos e não ofuscá-los. O luxo silencioso vem tomando conta das tendências de moda e crescendo muito pelo mundo dos esportes. Marcas de grife investem em tecnologia e sofisticação, influenciando os super ricos e patrocinando atletas de alto nível, reforçando novas formas de distinção social baseadas na discrição e no consumo seletivo. 

Esse movimento troca logotipos ostensivos por materiais de alta qualidade, cortes impecáveis e discrição, priorizando o consumo consciente. Larissa Dutra, estudante de moda da Faculdade Santa Marcelina, implica que as grifes “fizeram esse luxo silencioso justamente pra tirar aquelas coisas super cheias de monogramas, aquelas blusas da Balenciaga, tudo cheio de “Balenciaga”, “Balenciaga”, “Balenciaga”.

 Segundo a colunista de moda, Ilca Maria Estevão, no Metrópoles, essa estética se define pela sofisticação sutil, utilizando tecidos nobres como cashmere e seda para transmitir status sem exibicionismo. A tendência reflete uma mudança de mentalidade, impulsionada por produções culturais como Succession e marcas como Loro Piana e The Row. O conceito também representa um movimento em direção à sustentabilidade, valorizando peças duráveis em detrimento de tendências passageiras. 

Imagem tirada do Instagram @dualipa

O fenômeno do “athleisure”, uma fusão de “athletic” (atlético) com “leisure” (lazer) se refere a roupas casuais que foram desenhadas para serem usadas tanto para exercícios físicos quanto para uso geral, e emergiu como uma tendência dominante na moda no século 21. Mas o diferencial não está apenas no conforto, mas na sofisticação técnica. Marcas luxuosas, ou de alta gama, estão investindo em matérias-primas que antes eram exclusivas para atletas olímpicos, mas com o acabamento impecável da alfaiataria francesa. “É quase The Row aplicado ao esporte. Zero esforço aparente, mas tudo extremamente pensado”, comenta Carol Marcheis, da Fhitz.

As Olimpíadas de Inverno de 2026, em Milano-Cortina, foram emblemáticas ao mostrar um número elevado de delegações vestidas com marcas de luxo. Os anfitriões italianos vestiam Empório Armani, os Estados Unidos foram de Ralph Lauren e o Canadá protagonizando o maior exemplo de athleisure, Lululemon.

O athleisure funde as roupas esportivas com roupas casuais, e tem uma liberdade na exploração da montagem dos looks. As peças básicas, como tops e leggings, são curingas e ampliam as possibilidades para looks de academia, casuais e até sociais. As marcas de luxo são responsáveis pela sofisticação dos produtos esportivos, e as peças são símbolos de riqueza e status. 

Imagem tirada do Instagram @peggygou_

Ao contrário da moda esportiva convencional, que se concentra apenas no desempenho ou conforto, essa tendência integra aspectos do luxo silencioso ao dar prioridade a tecidos de alta qualidade, tais como algodão egípcio e fibras tecnológicas de alto desempenho, além de cortes elaborados e design minimalista. De acordo com a Vogue Business, a expansão desse nicho está relacionada à demanda por versatilidade, na qual os consumidores desejam peças que possam ser utilizadas tanto em contextos informais quanto em situações mais requintadas, sem abrir mão da sofisticação. Calças de moletom bem ajustadas, leggings de alto padrão e jaquetas minimalistas não são mais apenas vestimentas de academia, mas se tornam composições completas para o cotidiano.

Essa transformação também se manifesta na criação de uma característica minimalista no esporte, conhecida como uma estética “clean”. Roupas e uniformes esportivos têm se distanciado de cores vivas e logotipos evidentes, optando por uma paleta mais neutra, com tonalidades como creme, preto, branco e cinza, e investindo em cortes elegantes que realçam o caimento. Esse fenômeno é visível tanto em marcas de luxo quanto em grandes companhias de artigos esportivos, que começam a priorizar coleções menos chamativas. Segundo o site Highsnobiety, atletas de elite e influenciadores têm contribuído para essa mudança, optando por estilos mais discretos e refinados fora dos eventos esportivos. Essa opção estética transmite um prestígio distinto, menos focado no consumismo e mais associado à autenticidade.

“O que faz a peça, na minha opinião, ser luxo, não é a logo, mas sim, como ela foi feita, incluindo o tecido que foi utilizado, a modelagem e a combinação desses dois. É aí que está o luxo!”, comenta a estudante Larissa Dutra.

Especialistas no setor de alto padrão reiteram que essa tendência também é uma resposta pragmática a demandas de segurança e privacidade. A discrição consolidou-se como um indicador de sofisticação e inteligência financeira, orientando a elite global a adotar práticas de consumo minimalistas. A estética minimalista ganha força, em um primeiro momento, nas construções arquitetônicas, para, em um segundo momento, passar a aparecer nas artes plásticas e, em seguida, na moda. Mies Van der Rohe, arquiteto conhecido pelo seu grande papel no movimento modernista, foi quem primeiro usou a expressão que hoje sumariza perfeitamente a estética: “Less is more”.

A análise do cenário contemporâneo sugere que o luxo silencioso não se configura como uma tendência efêmera, mas como uma transformação definitiva. A reorientação estratégica de grandes “maisons” (as grifes internacionais), somada à adesão de figuras influentes no mundo corporativo e artístico, evidencia um perfil de compradores que exigem substância e uma conexão profunda com o objeto de consumo. Os altos valores dos produtos são justificados pela durabilidade e a qualidade das peças e, quase sempre, são vistas como “investimento de longo prazo”, de acordo com Sofia Martellini, especialista em moda na WGSN.

Geralmente, as tendências da moda seguem um padrão. O ciclo da moda implica o nascimento, vida e morte de um padrão, que por sua vez é substituído por um novo padrão, em um movimento contínuo de substituição, gerando a renovação, característica basilar do sistema da moda. A dinâmica da moda fica estabelecida quando após o lançamento de uma moda por um grupo, temos sua difusão e aceitação e, por fim, seu desuso ou morte. 

Esse tipo de comportamento já virou tema de reflexão de pensadores como Giles Lipovetsky. Para o sociólogo, pai do conceito de “cultura mundo” (a hiperglobalização da cultura), “a partir de um certo momento, o processo brutalmente faz uma reviravolta, inverte-se, renega a tendência passada, mas é impulsionado pela mesma lógica do logo, pelo mesmo movimento caprichoso. 

No esporte, o movimento do “quiet luxury” se soma aos comportamentos contemporâneos da sociedade, como o minimalismo, a busca por saúde, durabilidade e versatilidade. O luxo silencioso amplia essas tendências, fazendo com que ele fuja do padrão do ciclo da moda, já que as peças foram idealizadas para serem atemporais, não dependem de modas passageiras e podem ser usadas por muito tempo, sem perder sua qualidade.

Imagem tirada do Instagram @bottegavenetaworld

Carol Marcheis aposta que tanto o maximalismo de marcas quanto o luxo silencioso vão coexistir, ”mas com uma valorização crescente da discrição elegante”. E isso é uma tendência natural, já que o consumidor (e até o atleta) está mais sofisticado. “Ele entende material, design, conceito. E aí entra muito aquela lógica que marcas como Bottega Veneta trouxeram: Quando você sabe, você sabe”.” Assim, pode-se apostar em uniformes para atletas que performam no mais alto nível, mas com uma estética limpa, inteligente e quase silenciosa. “Um luxo que não precisa se provar.”

As características do luxo silencioso no mundo dos esportes indica que essa tendência do athleisure desafie o Ciclo da Moda, já que, diferentemente de trends passadas, essa foi idealizada para o longo prazo. Larissa conclui: “Eu acredito que isso vai ficar um tempo justamente porque é só o que se fala nas redes sociais. A gente tá nessa nessa estética já tem um tempo, então acredito que ela dure um tempo mais”.

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Beatriz Catena

Jornalismo | Casper Líbero