Em seu lançamento, o álbum de figurinhas da Copa chamou muita atenção por causa do preço. As edições padrão de capa mole chegaram ao valor de R$24,90, enquanto a versão premium, de capa dura, atingiu R$79,90, deixando um gosto amargo para os brasileiros que sempre tiveram a tradição de comprar o álbum em seu lançamento.
“Antes de lançar o álbum, eu estava com a intenção de comprá-lo, mas quando vi os preços acabei decidindo não comprar a edição deste ano”, diz o auxiliar administrativo Valdecir David.
Números da inflação
Em comparação com edições anteriores, como a de 2022, houve um aumento de aproximadamente 100% no preço do álbum de capa mole e de 56% no álbum de capa dura.

Além do alto preço do álbum, também ocorreu um grande aumento no valor dos pacotes de figurinhas. Para efeito de comparação, nesta edição da Copa, o pacote está aproximadamente 75% mais caro em relação à edição anterior, chegando ao valor de R$7,00 em bancas e lojas autorizadas.

Mas, como sempre, o torcedor brasileiro deu o seu jeitinho.
O criador de conteúdo Pedro Bomfim (@pedroksete), postou um vídeo em sua rede social de como conseguir comprar figurinhas mais baratas com um método usando os aplicativos de entrega.
Alguns aplicativos desenvolveram sistemas de ofertas para a compra de figurinhas em suas plataformas. Os de delivery, por exemplo, lançaram um sistema de descontos em parceria com uma rede de fast food, no qual o comprador poderia pedir figurinhas pelo app e recebê-las em casa por menos da metade do preço. O único pré-requisito era ser um novo usuário da plataforma.
Falta de acesso
Apesar de ser um fenômeno apaixonante, nem todos conseguem colecionar figurinhas, e o aumento dos preços contribui ainda mais com isso. Assim, visando agregar crianças e jovens vulneráveis financeiramente na cultura, Allan Gora Cohen e Felipe Len criaram, em 2022, o “Figurinha Para Todos”.

O projeto surgiu quando Allan, com apenas 15 anos na época, percebeu que o preço de dois pacotes de figurinha era o mesmo que o do litro do leite. A partir disso, decidiu gravar um vídeo. Sem saber editar, convidou seu melhor amigo, Felipe, que já tinha prática com edição, para ajudar. Com o vídeo pronto, o conteúdo foi publicado no Instagram e alcançou um público muito maior do que o esperado.
“Logo no começo, tiveram pessoas que não entenderam o propósito do projeto, questionando a doação de figurinhas ao invés de doar comida e dinheiro. Porém, a proposta realmente era essa: tocar em uma ferida que ainda não tinha uma solução — trazer esse momento tão alegre e especial, que acontece na cultura brasileira, para crianças que não tinham a possibilidade de colecionar”, lembra Felipe Len.
Na última Copa, a arrecadação foi um sucesso. “O projeto atingiu números que não esperávamos”, segundo Felipe Len. Foram mais de 157 mil figurinhas e 650 álbuns doados. Além disso, ajudaram 12 instituições, como a Escola General de Gaulle e o Lar das Crianças.
Crescimento inesperado
“Nós não estávamos preparados para a proporção que teve. Na minha cabeça, quando eu criei o projeto, seria algo que ficaria entre amigos, conhecidos, familiares… Mas quando o vídeo foi publicado, pessoas que nós não imaginávamos que iriam apoiar o projeto, apoiaram e fizeram com que tomasse uma proporção muito grande. A demanda foi muito mais alta do que a gente estava esperando”, conta Allan Gora Cohen.
Certamente, ver que o projeto deu certo é muito gratificante. Mas, para isso, Allan e Felipe enfrentaram algumas dificuldades: “Como a gente não estava com a expectativa de ter uma grande proporção, a maior dificuldade foi adaptar o projeto que a gente tinha em mente de ser algo pequeno para atender à proporção que chegou.”, afirmou Felipe Len.
“Em uma ação em Ferraz de Vasconcelos, depois de entregar o álbum para um menino, a gente perguntou se ele tinha gostado e a resposta foi: ‘Adorei! Como eu não poderia ficar feliz colecionando o álbum. É algo que todo mundo quer’. Isso mostra que independente de quem você for, de onde você for e da necessidade que estiver passando, todo mundo quer colecionar o álbum”, comenta Allan Gora Cohen.
Neste ano, o projeto tende a se expandir pelo Brasil. Atualmente, Allan mora no Rio de Janeiro, e pensa em seguir com o projeto de lá, enquanto Felipe segue em São Paulo. Além disso, pessoas já entraram em contato para levar o projeto para Belo Horizonte. Para Allan, “Isso vai acabar alavancando muito o projeto. Nós vamos conseguir chegar em um número muito maior de pessoas, com um número muito maior de figurinhas arrecadadas”.
Por Christian Elster, Fernando Tadeu, João Lucca Rigolo, Leonardo Viegas e Pedro David.
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