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17-abril-2026 Ano 2

Sem praia, São Paulo vira polo dos esportes de areia

Capital transforma a areia em espaço de lazer, saúde e convivência, e lidera o crescimento nacional da modalidade
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Mesmo distante do litoral, São Paulo se consolidou como um dos principais centros de crescimento dos esportes de areia no país. Modalidades como beach tennis, futevôlei e vôlei de praia vivem um boom na capital paulista, impulsionadas inicialmente pela pandemia e mantidas em alta por fatores ligados ao bem-estar, à socialização e à busca por experiências que rompem com a rotina urbana.

Foto de uma bola de futevôlei em uma quadra de areia
Espaço Oásis – Ipiranga – Esportes na areia têm crescido na capital – Foto: Bruno Amaral/Agenzia

O ponto de partida desse fenômeno aconteceu durante a pandemia de Covid-19. Em meio ao fechamento das academias e à busca por atividades ao ar livre, quadras de areia passaram a atrair um novo público. Em São Paulo, a procura por espaços de beach tennis cresceu entre 150% e 200% no período, segundo a Veja SP . Plataformas como Wellhub e TotalPass, serviços de assinaturas para academias e espaços de bem-estar, registraram crescimento expressivo nos últimos anos para os esportes de areia. 

Mesmo após o fim das restrições sanitárias, a tendência não perdeu força. Na capital, a areia passou a representar uma espécie de “escape” dentro de uma rotina marcada pelo concreto, pelo trânsito e pela velocidade. A sensação de estar em um ambiente que remete à praia cria, para muitos praticantes, um momento de respiro e descontração em meio ao caos urbano.

Infraestrutura e protagonismo paulistano

A consolidação da modalidade na capital também passa pelo avanço da infraestrutura. Nos últimos anos, clubes, academias, condomínios e arenas privadas ampliaram o número de quadras de areia em bairros estratégicos da cidade, transformando regiões como o Ipiranga e a zona oeste em polos da prática esportiva. Esses espaços passaram a receber torneios amadores e etapas profissionais, colocando São Paulo no calendário internacional do beach tennis. Em 2025, a cidade sediou uma etapa do ITF Sand Series, principal circuito mundial da modalidade, reforçando o protagonismo paulistano mesmo fora do litoral.

Para a psicóloga do esporte Gabriella Finatti, um dos fatores que explicam a permanência do fenômeno é o senso de comunidade criado em torno das quadras. “Os praticantes se unem para jogar, mas também para socializar. Como é uma modalidade relativamente nova, muita gente sente que está aprendendo junto, e isso cria grupos de pertencimento”, explica em reportagem ao G1.

Mas quem sente diferença mesmo são os praticantes dos esportes de areia. Luciana Beato de 51 anos, começou a praticar beach tennis na pandemia. “O beach tennis é muito inclusivo, principalmente no modelo de day use, onde a troca de duplas é frequente e você não escolhe com quem vai jogar, você coloca sua raquete na sequência de outras raquetes e as duplas vão se formando, isso possibilita conhecer gente nova todas as vezes”, disse.

A fala ajuda a entender por que o esporte se mantém em alta em São Paulo: mais do que exercício, a areia virou espaço de convivência, networking e estilo de vida em uma cidade marcada pela rotina acelerada.

Por que a areia atrai tanto?

Além do aspecto simbólico, o fator físico também ajuda a explicar a permanência da alta. O solo irregular exige mais do corpo, aumenta o gasto calórico e reduz o impacto nas articulações, combinação que dialoga com a crescente busca por exercícios eficientes e prazerosos.

Outro ponto importante é justamente o contraste com a cidade. Em um cotidiano urbano intenso, o contato com a areia oferece uma sensação de quebra da rotina, quase como uma experiência de praia dentro da metrópole.

Segundo o empresário Renan Bertaglia, a ausência de praias em São Paulo acaba impulsionando o sucesso da modalidade: “É uma forma de desconectar, de estar ao ar livre, sentindo a areia nos pés. Acho que isso explica por que os beach sports deram tão certo na cidade”. Ele é dono do espaço Oásis, no bairro do Ipiranga.

Duas quadras e areia
Espaço Oásis – Ipiranga – Quadra de areia na grande São Paulo – Foto: Bruno Amaral/Agenzia

Beach tennis como porta de entrada para os esportes de areia

O beach tennis se destaca como principal porta de entrada para os “praieiros”. O esporte tem apelo democrático, com regras simples, rápida adaptação para iniciantes e possibilidade de prática por diferentes faixas etárias. Ao contrário de modalidades com maior exigência técnica, ele oferece aprendizado mais acessível e uma experiência social forte, fatores que ampliam seu alcance na cidade.

“É um esporte mais democrático. Não diria que é mais fácil, porque tem suas dificuldades, mas permite que pessoas de diferentes idades consigam jogar, o que contribui para o seu crescimento”, adiciona Bertaglia.

Futevôlei cada vez com mais força

O futevôlei avança entre os esportes de areia, impulsionado por um elemento enraizado na cultura nacional: o futebol. A adaptação do esporte para a areia conquista adesão imediata, especialmente entre jovens e ex-jogadores amadores.

O crescimento também passa pelos benefícios da prática. Segundo o professor Leo Cardoso, o esporte reúne diferentes capacidades físicas. “É muito dinâmico: você trabalha cardio, força, coordenação e mobilidade na areia, que ainda potencializa esse desenvolvimento”, explica. Ele também destaca o apelo visual da modalidade, com “movimentos bonitos que exigem o corpo todo”.

A prática ao ar livre, a influência do futebol e a busca por um estilo de vida mais saudável ajudam a impulsionar ainda mais o futevôlei. A familiaridade com fundamentos como domínio, toque e controle corporal facilita a aproximação do público e amplia o interesse nas quadras paulistanas.

grafite de bola de futevôlei na parede do Espaço Oásis
Espaço Oásis – Ipiranga – FuteVôlei – Foto: Bruno Amaral/Agenzia

Autores

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Arthur Brito Faria Lima

Estudante de jornalismo na Fundação Cásper Líbero; Repórter Agenzia; Repórter Golazo; apaixonado por esportes e, especialmente, futebol.