sexta-feira

15-maio-2026 Ano 2

São Paulo está pronta para receber a Copa do Mundo Feminina?

Em menos de um ano, o Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina pela primeira vez, celebrando sua 10ª edição.…
1 Min Read 0 23

Em menos de um ano, o Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina pela primeira vez, celebrando sua 10ª edição. São Paulo será uma das sedes, e segundo o ex-secretário de esportes da cidade, Rogério Lins, a capital quer receber a primeira partida do torneio: “Nos bastidores há uma disputa, porque normalmente a abertura e a final são os grandes públicos. Sabemos que a final provavelmente será no Rio de Janeiro, mas queremos a abertura. Estamos muito fortes na disputa para que seja em São Paulo”.

Mas será que a cidade está pronta para receber um dos maiores torneios do esporte no mundo? Na avaliação da coronel aposentada da Polícia Militar, Eunice Godinho, a organização do evento exigirá atuação conjunta entre diversos órgãos públicos e instituições da sociedade.

Infraestrutura e “legado”

De acordo com Lins, um dos maiores desafios para sediar um evento mundial como a Copa do Mundo é construir infraestruturas que tenham utilidade após o evento. Porém, segundo o ex-secretário, um dos fatores que potencializa São Paulo como cidade-sede é justamente que estas infraestruturas já estão prontas e em bom uso. “São Paulo é uma das principais capitais do mundo do esporte”, afirma Lins.

Aqui, como já temos a infraestrutura, não será construído um estádio para a Copa do Mundo de Futebol Feminino. Mas se fosse, obviamente que pensaríamos no que seria feito com ele depois. Nós participamos de um estudo para apresentar São Paulo como cidade sede de uma Olimpíada. O caderno técnico de obrigações que você precisa preparar é bem desafiador e às vezes o custo para depois a utilização dele posteriormente não fecha a conta. É muito difícil, mas o futebol em São Paulo sempre vai ter muito público

Apesar do otimismo das autoridades, o pesquisador Claudio Rocha demonstra que a preocupação com as infraestruturas não se restringe apenas para os palcos esportivos. Rocha evidencia que muitas das obras planejadas para a cidade de São Paulo durante a Copa do Mundo de 2014 ainda sequer foram concluídas. Em seu texto “Copa do Mundo FIFA de Futebol Feminino 2027 no Brasil: Não. Não está tudo pronto”, o doutor menciona, como exemplo, as obras no monotrilho da linha 17. Concluído apenas em 2026, ele foi retirado da Matriz de Responsabilidade em 2014 quando o estádio escolhido para representar São Paulo foi alterado do Morumbi para a Neo Química Arena.

O palco do evento

É a segunda vez que a Neo Química Arena representará São Paulo em um mundial de futebol. Em 2014, a recém-inaugurada arena venceu a disputa para sediar a abertura e desbancou estádios tradicionais da cidade. Mais de 10 anos depois, o estádio acumula jogos internacionais e um histórico relevante para o futebol feminino.

A arena recebeu o maior público da modalidade na história do país. Além disso, é a casa do Corinthians, campeão das últimas 7 edições do Brasileirão Feminino. São Paulo também usa este sucesso das equipes paulistas como trunfo. Nos últimos 9 Campeonatos Brasileiros, o campeão foi um clube paulista. Segundo Lins, esse resultado é fruto do desenvolvimento no trabalho de base dentro do estado: “O maior campeonato de formação do país no futebol feminino também é a Copinha São Paulo”.

Além do estádio, a cidade também oferece uma vantagem por estar rodeada de municípios que também possuem clubes de futebol estruturados. Essa proximidade oferece uma grande disponibilidade de centros de treinamento para as delegações. Para Sissi, ex-jogadora da Seleção Brasileira, foi em São Paulo que encontrou as melhores infraestruturas de treino para o futebol feminino no Brasil. Conforme o catálogo divulgado pelo Ministério do Esporte, dez dos 38 Centros de Treinamento que serão utilizados durante a Copa do Mundo estão localizados no estado de São Paulo. Para contraste, apenas dois são no Rio de Janeiro e três na capital (DF), demonstrando a força das infraestruturas esportivas no estado de São Paulo.

Segurança Pública

A Copa do Mundo Feminina também representa um importante desafio para a segurança pública. Como ressalta a coronel Godinho, a segurança em uma competição internacional não se limita apenas ao interior dos estádios. O trabalho preventivo também envolve os arredores das arenas esportivas, terminais de ônibus, estações de metrô, vias públicas, hotéis e locais de concentração de torcedores. De acordo com a coronel, esse planejamento de segurança envolve integração entre Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana, órgãos de trânsito, transporte público, serviços de emergência e equipes de monitoramento urbano.

Ainda assim, dentro dos estádios, a segurança não depende do serviço da Polícia Militar, geralmente é feita por uma empresa terceirizada e a polícia se envolve apenas para averiguar a qualidade do serviço antes do evento. Os responsáveis pela infraestrutura do local devem preencher e assinar um questionário feito pela segurança pública analisando se é suficiente e adequado para atender os requerimentos de um evento de grandes proporções.

Godinho demonstra preocupação principalmente acerca da segurança da mulher nos espaços públicos. Ela destaca que as mulheres ainda convivem com sentimentos de insegurança em deslocamentos urbanos e em ambientes com grande circulação de pessoas. Na visão da coronel, a Copa do Mundo Feminina pode servir como oportunidade para fortalecer debates sobre políticas públicas de combate à violência contra a mulher.

Além da atuação policial ostensiva, a coronel enfatiza a importância da prevenção, da conscientização da população e do trabalho integrado entre poder público e sociedade civil. Para ela, garantir segurança em um evento dessa magnitude também significa proporcionar um ambiente de respeito, inclusão e acolhimento para mulheres, famílias e torcedores.

Outras cidades-sede

Além de São Paulo, outras sete cidades estão se preparando para receber o evento. São elas: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Todas essas cidades repetem o feito de 2014, quando estavam entre as 12 cidades-sede da Copa do Mundo de futebol masculino, representadas pelos mesmos estádios. Segundo Lins e Godinho, para que essas cidades estejam totalmente preparadas para sediar o evento, é essencial a comunicação não apenas das cidades-sede com a nação, mas também entre elas, uma vez que compartilham preocupações em comum como logística, transporte, hospedagem e segurança.

Por Gustavo Granero, Matheus Saraiva, Thiago Jordão e Vinícius Brunsizian

Autor

🤖
UTILIZAÇÃO DE IA
Uso Mínimo de IA

A IA foi utilizada apenas para suporte pontual, com controle editorial humano integral.

  • ✅ Revisão/Edição: auxílio de IA
🛠️ Ferramentas utilizadas: ChatGPT

Eduardo Nunomura

Jornalista e professor de Jornalismo na Cásper Líbero, à frente do projeto Agenzia, Eduardo Nunomura orienta, semestralmente, mais de 300 estudantes na produção de conteúdo multimídia. Especialista em estratégias digitais e narrativas convergentes, é daqueles que ainda crê no jornalismo. <a href="https://www.linkedin.com/in/eduardonunomura/" target="_blank" rel="noopener"><b>Minha trajetória no LinkedIn</b></a>