sexta-feira

17-abril-2026 Ano 2

Gen Z bebe menos álcool e consome mais drogas

Das causas até as consequências, a mudança de costumes entre jovens da Geração Z ao reduzir o consumo de álcool e impulsionar o uso de substâncias ilícitas
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A Geração Z tem demonstrado menor interesse pelo consumo de álcool em comparação a gerações anteriores. Mais informados, os jovens estão conscientes sobre riscos como dependência, doenças e prejuízos cognitivos. A crescente valorização do bem-estar, da estética e da qualidade de vida também contribui para reduzir o apelo do álcool. As redes sociais, quem diria, influenciam positivamente, já que comportamentos impulsivos podem ser expostos e gerar julgamentos – o famoso medo do cancelamento

Estudos da MindMiners e da Mind&Heart atestam esse fenômeno. O álcool passa a ser visto como incompatível com um estilo de vida focado em desempenho físico, produtividade e equilíbrio mental, comandado pela “cultura do wellness”, principalmente por meio das redes sociais.

Mas não é segredo para ninguém que essa geração também enfrenta altos níveis de sofrimento psicológico por causa de fatores como pressão digital, insegurança e isolamento pós-pandemia de Covid-19. Drogas ilícitas acabam sendo usadas por jovens para lidar com ansiedade e emoções negativas, assim como buscar a alta performance e os padrões estéticos. Ou seja, reduz-se o consumo de álcool, que não é mais visto como útil ou até mesmo divertido, mas aumenta-se o de drogas como opioides e anabolizantes.

De curiosidade à vício

O início de um vício nem sempre é evidente. O uso de substâncias costuma surgir em diferentes contextos sociais, como festas ou círculos de amizade casuais, muitas vezes impulsionado pelo desejo de pertencimento ou pressão do grupo. Esse primeiro contato, muitas vezes, parece ser inofensivo. O problema é que há chances dele se repetir, iniciando um comportamento que evolui negativamente ao longo do tempo.

No organismo, essas substâncias afetam o cérebro, no sistema de recompensa, ligado ao prazer. Com o uso contínuo, o cérebro passa a associar o consumo à satisfação, exigindo doses maiores. Segundo o psiquiatra João Luiz Martins, o uso dessas substâncias se passa a ser um problema após a perda de controle sobre o consumo, assim transformando um uso ocasional em um ciclo difícil de interromper. E entre adolescentes, esse risco é ainda maior, já que o lobo pré-frontal, responsável pela tomada de decisões, ainda está em desenvolvimento.

A terapeuta Karine A. Razuk aborda a predisposição a desenvolver vícios de alguns indivíduos como um fator importante, “o uso de substâncias ilícitas acaba levando, em grande maioria, o indivíduo à desenvolver transtornos mentais, principalmente se já existir alguma predisposição genética despertada pelo uso, que altera a química do cérebro e afeta os neurônios”, pois ele pode ser estimulado dependendo dos hábitos, ou ser desenvolvido do zero, também influenciado por hábitos e o meio onde o indivíduo se encontra.

Christina Eloi, psicóloga, disse que pensa que “os transtornos mentais surgem pela combinação de fatores como genética, funcionamento do cérebro, hormônios, traumas, emoções, pensamentos, família, ambiente, estresse e relações pessoais, e, o uso de substâncias ilícitas podem potencializar os transtornos e causar ainda mais danos ao indivíduo. […] O uso excessivo de redes sociais, a pressão constante por desempenho, o excesso de informação e o aumento da sensação de solidão contribuem para o aumento de transtornos mentais como depressão e ansiedade.”

Por que optam pelo cigarro eletrônico?  

A Geração Z é a mais afetada por transtornos mentais como depressão, ansiedade e estresse. Por isso, os jovens que buscam conforto recorrem ao cigarro eletrônico, conhecido também como “vape” ou “pod”,  que se tornou de uso comum e habitual entre os jovens. Além da sensação de conforto, os vapes dão uma falsa sensação de segurança e a impressão de serem “menos nocivos” por terem variados sabores e aromas doces, camuflando o fato de conter nicotina e outras substâncias altamente prejudiciais à saúde. 

Os designs e a facilidade e praticidade de aquisição dos cigarros eletrônicos também influenciam na decisão de compra. Existem lojas online e físicas de rápido acesso, o que facilita o acesso de menores de idade ao produto, com marketing discreto e designs atraentes e modernos, com cores chamativas, semelhantes a pen drives ou brinquedos, favorecendo o uso de forma silenciosa.

A apologia às substâncias ilícitas

O uso recreativo de substâncias ilícitas entre jovens não acontece de forma isolada e se relaciona com o que eles consomem no audiovisual. Na série Euphoria, o uso aparece de forma intensa e, às vezes, até meio estetizada, o que pode passar uma sensação de normalidade. Isso aparece na música, com artistas como Travis Scott e The Weeknd, que associam esse tipo de consumo a festas e excessos.

Reprodução: Pexels

Mas isso não explica tudo. Em entrevista à Agenzia, a jovem Sophia Lima, estudante de 18 anos de Relações Internacionais – PUC SP, afirma que “o ambiente em que o jovem está inserido pesa bastante nas escolhas, às vezes mais do que as redes sociais ou o próprio audiovisual”. 

A profissional da área da saúde mental Karine A. Razuk defende que os artistas têm forte influência sobre os jovens, “antigamente os meios de comunicação eram limitados ao rádio, televisão e telefone fixo, fazendo com que os jovens de antes se ocupassem com outras modalidades mais significativas como as esportivas, os hábitos eram mais saudáveis. […] Os artistas têm forte influência sobre os jovens, e assim vai com séries, filmes, músicas e jogos. Os adolescentes, que ainda estão em formação, são mais suscetíveis de serem influenciados, tanto no modo de vestir, quanto de agir, para conseguirem pertencer a um grupo. O ambiente no qual o jovem está inserido também influencia e muito o consumo de drogas.”

Já a psicóloga Christina Eloi, em entrevista à Agenzia, afirma que a cultura pop funciona mais como um reforço do que como causa, principalmente em situações de vulnerabilidade emocional. “O vício nasce da relação entre questões emocionais e sociais, […], Quando o consumo é retratado como estética e estilo de vida na mídia, ele vira símbolo de pertencimento e construção de identidade. […] A cultura pop não é a causa principal, mas atua como um amplificador.” 

Autores

  • 26000227

    Me chamo Izabelle, sou repórter da Agenzia, estudante de jornalismo da Cásper Líbero e professora de inglês na Red Balloon.

  • Maria Paula
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UTILIZAÇÃO DE IA
Autoria Humana Exclusiva

Este conteúdo foi produzido integralmente por humanos, sem uso de IA em nenhuma etapa.

26000227

Me chamo Izabelle, sou repórter da Agenzia, estudante de jornalismo da Cásper Líbero e professora de inglês na Red Balloon.