quinta-feira

9-abril-2026 Ano 2

A influência de empresários na profissionalização de atletas da base

O mundo empresarial está cada vez mais presente nas categorias de base, mas promessas não cumpridas e interesses financeiros dos empresários levam jovens atletas a buscar alternativas como a gestão familiar. Esses fatores geram uma grande influência nos bastidores, o que prejudica o desenvolvimento profissional. 
1 Min Read 0 40

Problemas com empresários impulsionam gestão familiar           

O Brasil é conhecido por ser uma “fábrica de talentos”, especialmente no futebol. Mas a acessibilidade a oportunidades não chega para todos. Na maioria das vezes, sem um empresário um atleta não consegue ir longe. Ter um profissional capacitado que cuide de sua carreira é primordial, mas é preciso ter cautela e analisar o trabalho de quem ofereceu a proposta. “Hoje em dia tem muito empresário que é sacana.” comenta Pedro Oliveira, goleiro da base do Flamengo de Guarulhos, em entrevista exclusiva à Agenzia.

Pedro Oliveira, atleta da base do Flamengo de Guarulhos. Foto: arquivo pessoal

Muitos empresários veem potencial num atleta, entram em contato com o jogador e com a família, prometem muitas coisas, “aquele cara vendedor de sonho”, relata Pedro. Mas raramente ele as cumpre. Além de iludir o atleta, ações como essa podem atrasar a carreira do jovem e fazê-lo desistir por achar que não consegue alcançar os lugares que almeja, “Muitos pararam de jogar, outros seguem na luta, igual eu”, comentou Matheus Henrique, de 17 anos, atleta da base do Barcelona Esportivo Capela.

A delicada escolha de ceder a responsabilidade da carreira a um empresário pode gerar consequências que atingem extremos. “Se for um bom empresário, ajuda muito. Mas se for mercenário, que é o que mais tem, só atrapalha”, disse o jovem goleiro Pedro. “Muitas vezes o cara só quer ganhar em cima. Ele não vai fazer a gestão da carreira do atleta, só quer os royalties.”

Existem ainda casos em que o agente tem boas intenções, porém a ganância financeira acaba prejudicando a trajetória do jogador. “Começam a aparecer muitas oportunidades: patrocínio, marketing, produto… e isso pode tirar o foco do menino, que é treinar e evoluir.”, disse Elson Ito, treinador de futsal. Privar e neutralizar o atleta desse jogo empresarial, principalmente quando muito jovem, é primordial. “Hoje você vê jogador sendo “fatiado”: 30% de um, 10% de outro… porque envolve muita gente”, disse Elson.

Ter o próprio pai como empresário, como aconteceu com Neymar e seu pai, Neymar Santos, pode ser fundamental para o percurso profissional do atleta. O principal fator é ser alguém de confiança, uma pessoa que não vai priorizar somente o atleta, mas o ser humano. É o caso do goleiro Pedro. “Meu pai sempre foi muito tranquilo… Em fases difíceis ele me ajudou muito mais do que um empresário ajudaria… Foi muito benéfico ter meu pai, principalmente mentalmente”, disse o garoto. Outro exemplo é o jovem Matheus, que também optou por ter o próprio pai como gestor, “Meu pai está comigo em tudo… Já brigamos várias vezes, não é fácil, mas eu prefiro isso do que confiar em alguém que não conheço”, relatou o jovem.

Optar por ter o próprio pai como empresário pode ser prejudicial em alguns fatores, como a falta de experiência, falta de contatos e não ter tanta credibilidade dentre os clubes. “Esse negócio do pai falar com o time é muito difícil. Os times acabam não dando tanta abertura”, afirmou Pedro. 

A influência nos bastidores: mérito ou relacionamento? 

No futebol, grandes empresários exercem algum tipo de poder sobre as categorias de base dos clubes de forma indireta, “Não é divisão de poder, mas alguns tem muito mais influência”, disse Elson. 

Elson Ito, treinador de futsal. Foto: arquivo pessoal

Algo que fica claro hoje em dia é que o talento já não é mais tão importante quanto era antigamente. Ser um profissional decente, mas com os contatos certos, pode fazer um atleta chegar mais longe do que alguém mais qualificado, porém sem contatos é o que afirma Matheus: “Um jogador mediano com empresário bom consegue chegar mais fácil do que um jogador bom sem empresário”. 

Segundo o atleta, um jogador sem empresário precisa se esforçar o dobro, quando não tem um empresário forte por trás. Não é raro que um jogador já chegue alçado à categoria de titular simplesmente porque chega com uma indicação quente. “Você tem que ralar, começar de baixo, para tentar receber uma chance, mas às vezes nem relacionado você é, já aconteceu com vários amigos meus”, disse Matheus.

Matheus Henrique, atleta do Barcelona Esportivo Capela. Foto: arquivo pessoal

Hoje é nítido que existe uma “panela” entre empresários e clubes. “O empresário investe no clube, então ganha espaço. No Corinthians sub-20, por exemplo, já teve empresário com oito jogadores no elenco”, declarou Elson.

Regulamentação e caminhos possíveis

Durante uma transferência de um jogador para um clube, cabe ao jogador decidir o que ele quer realizar, se quer ficar na equipe ou não. Mas muitas vezes são os empresários que interferem diretamente nessas negociações. Cerca de 13,7% da compra e venda de jogadores é realizada no futebol por intermédio de agentes. Apesar de parecer uma pequena porcentagem, isso gera um impacto financeiro grande dentro dos clubes, que, de acordo com o relatório de 2025 da Fifa, os gastos com taxas de serviços de agentes bateram recordes, sendo maiores que 7,5 bilhões de reais. O que está em jogo são as transações milionárias dos grandes jogadores para os principais clubes do mundo.

Nos dias atuais, as diversas organizações do esporte criaram regulamentações para que os empresários atuem de uma forma mais discreta na gestão de seus atletas. A Fifa exige uma diversidade de documentos e cumprimento de critérios para quem quer trabalhar como agente. Em relação aos clubes, há um teto de comissões, uma limitação de valores que os empresários podem receber a partir de contratos e transferências. Já a CBF, adota normas semelhantes à constituição internacional, o que os diferencia é que o trabalhador tem que estar registrado para atuar no Brasil. 

Carlo Ancellotti, treinador da seleção brasileira, ao lado de seu empresário. Foto: Fotos Públicas

Para que essas regulamentações sejam mais efetivas e haja uma inspeção é preciso que sejam criados órgãos independentes para entidades fiscalizadoras. Em caso de irregularidade, punições rigorosas e severas para os empresários que se acham os “donos da verdade” e ampliar a transparência nas negociações.

Autores

🤖
UTILIZAÇÃO DE IA
Uso Mínimo de IA

A IA foi utilizada apenas para suporte pontual, com controle editorial humano integral.

  • ✅ Revisão/Edição: auxílio de IA
🛠️ Ferramentas utilizadas: ChatGPT
📝 Justificativa: IA utilizada para verificações de possíveis erros ortográficos

João Lucas Jardim Andreotti