quinta-feira

14-maio-2026 Ano 2

Leitura de massa e leitura crítica: o fenômeno por trás disso

Os livros são fundamentais para a vida humana, e a leitura desempenha um papel essencial no desenvolvimento pessoal. No entanto, muitas pessoas têm optado por histórias voltadas apenas ao prazer, sem aprofundamento crítico. O que está por trás desse comportamento?
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Você já parou para pensar por que ler é importante? A leitura é um hábito extremamente benéfico: amplia a imaginação, melhora a comunicação, desenvolve a criatividade e enriquece o vocabulário. Além disso, ao iniciar uma obra, o leitor vivência uma história inédita, sendo levado a vivenciar novos sentimentos. 

Apesar disso, há diferentes percepções sobre o valor da leitura. Para Vanessa Máximo, professora de literatura, ler é essencial para “entender as pessoas, as relações humanas e os dramas sociais”. Já Maria Luiza Marques, estudante do ensino médio do Colégio Sagrado Coração de Jesus, afirma que os livros foram fundamentais em sua formação pessoal: “Querendo ou não, tudo o que você lê, você absorve, vivendo várias vidas dentro das histórias. E eu nunca vou esquecer de nenhum livro, lembro de cada sentimento vivido com eles.”

Muitas pessoas que dizem não gostar de ler, na verdade ainda não desenvolveram o hábito. A leitura pode influenciar a forma de enxergar a vida, os livros apresentam situações que podem acontecer ou que já aconteceram com o leitor, trazendo lições capazes de transformar a maneira como ele lida com as emoções e dificuldades. “Eles influenciam muito, depende do livro que eu estou lendo. Para muitos, certas obras podem parecer bobas, mas acompanhar determinadas situações vividas por personagens me fez enxergar meus relacionamentos e minhas relações com as pessoas de outra maneira”, afirma Maria Luiza.

Ler ajuda em diversas situações, podendo mudar por completo uma pessoa. Ajuda a melhorar a interpretação e comunicação, reduz o estresse e pode estimular reflexões, o que leva a se tornar um ato de prazer à medida que se começa a gostar de folhear uma boa história.        

O papel da emoção na leitura

A leitura pode ser definida como o ato de interpretar símbolos, compreendê-los e relacioná-los para a construção de ideias. Cada autor busca provocar sentimentos no leitor, inclusive em textos teóricos ou informativos. Para que uma narrativa seja envolvente, é essencial a conexão do leitor com o enredo, construída a partir das emoções despertadas. A identificação após a leitura revela o verdadeiro poder da escrita, sendo capaz de transformar o leitor. Esse vínculo com os personagens e com a trama gera uma experiência imersiva, que vai além da simples compreensão, como se a história fosse vivida por ele.

Na leitura de prazer, os sentimentos tendem a ser mais leves e acolhedores. Já na leitura de fruição, podem ser mais incômodos, levando à reflexão sobre questões complexas. A diferença está na intenção de leitura. Sem o hábito da leitura, a visão de mundo e o pensamento crítico podem ficar limitados às próprias experiências.

Livraria paisagem no shopping Bourbon 2026 – Ana Flávia Rossi/Agenzia

Peculiaridades de cada leitor.

 Aos 18 anos, o estudante de medicina na PUC-SP, Pedro Pacheco, demonstra maior interesse por leituras filosóficas e políticas, mas reconhece a importância de todos os gêneros. Segundo ele, a leitura o ajudou a moldar seu “caráter”. Ele relata que se aproximou dos livros por interesse, curiosidade e pelo sentimento de pertencimento proporcionado pelas obras. “Foi se colocar em uma realidade ao qual eu não pertencia, e tirar uma lição que pode ser aplicada no cotidiano, a fim de escapar da realidade, pois “a vida já é muito difícil”, disse.

Maria Luiza Marques, que prefere livros de fantasia e romance, afirma que a escolha do próximo livro varia muito. Ainda assim, ela busca obras que a transportem para outros mundos, tornando a leitura mais fluida e leve. “Você não percebe o tempo que você está lendo. Então, eu tenho mais prazer em ler uma fantasia que eu consiga ler mais rápido.”

Ler é também uma forma de sair da zona de conforto e dos gostos pessoais, segundo Maria. Assim, ela já leu Dostoiévski. No início, achou que nunca conseguiria terminar a leitura. Foi preciso insistir para conseguir terminar o livro. Para ela, todo tipo de leitura é válida para se adquirir conhecimento, já que o leitor é aquele que lê, e o conteúdo da obra não possui peso nessa classificação. “O que importa é você ler.”

Influência da leitura

Porém, os livros de prazer possuem forte influência nas redes sociais, onde influenciadores recomendam obras baseadas na popularidade. Os livros de romance, fantasia e suspense estão sempre entre os mais lidos e comentados. Há uma diferença nos tipos de leitores que são ou não influenciados pelo sucesso online. Na opinião de Maria Luiza, é “complicado discutir”, pois a influência pode criar hábitos de leitura, mas também corre o risco de as pessoas não entenderem a obra.
A leitura é algo particular, o que molda um leitor e suas preferências são as próprias experiências e curiosidades diante da vida. De um lado existe quem prefere encarar a realidade de frente e com a ajuda da literatura encontra a munição necessária para encarar as situações, mas também existe quem use os livros para escapar do mundo real por algum tempo e ler por pura diversão.

Livraria da Vila, livros para quem gosta de uma leitura de fruição e o outro de prazer – Beatriz Mansur/Agenzia

Impacto da tecnologia na leitura

A tecnologia impacta diretamente no mercado literário, principalmente por plataformas digitais, como o Kindle, que ganham destaque na vida dos leitores. Esse meio digital oferece a leitura de livros de maneira online e, na maioria das vezes, com preços mais acessíveis,  tornando assim o acesso à leitura democrático.

No TikTok, tal tema virou fenômeno, dando origem ao “BookTok”. O intuito da comunidade é criar vídeos curtos sobre livros, resenhas, recomendações e “memes”, possibilitando pessoas do mundo inteiro se conectarem. Sendo mais populares obras de romance, que contam com menos de 400 páginas e apresentam pouco teor crítico e aprofundamento, tornam-se apenas leituras de prazer.

Em entrevista com a influenciadora digital Sarah Arruda, que começou a gravar seus vídeos ao perceber o impacto e a influência que esse conteúdo causava nos jovens, afirmou que a leitura crítica deve existir, mas que deve ser equilibrada com a de prazer, dessa forma, sendo a “receita perfeita” para adquirir conhecimento. A influenciadora também destaca que o “BookTok” transforma a leitura em consumo, citando a Bienal do Livro como exemplo, onde muitas pessoas compram edições diferentes de livros que já possuem apenas pela estética ou pelos brindes.

Ela observa também que livros com maior teor crítico ainda ocupam um espaço menor dentro do “BookTok”. Mesmo assim, acredita que há espaço para eles na plataforma e que, caso influenciadores maiores falassem sobre, poderia ser um sucesso.

Bienal do livro 2024 – Ana Flávia Rossi/Agenzia

Escola X Leitura de fruição/obrigatória

É muito comum a recomendação de leitura de obras clássicas no ensino médio, como as de Machado de Assis, José de Alencar e Guimarães Rosa, as quais, muitas vezes, apresentam uma linguagem difícil, por terem sido publicadas em diferentes épocas. Isso gera uma falta de identificação dos leitores com os personagens e com a obra, somando-se ao desinteresse por parte dos jovens.

Quando um professor pede à sua turma que leia um livro para a prova, a maior parte dos alunos ou não irá ler, se não houver avaliação envolvida, ou, na melhor das hipóteses, lerá pensando apenas na avaliação, sem se envolver com a história. Mas, quando há interesse, percebe-se que ela tem um forte envolvimento emocional, assim resgatando valores, no qual cada leitor constrói sua própria interpretação da narrativa, tornando a experiência algo individual e libertador. “A formação do professor de Literatura precisa ir além do acadêmico. Penso que a literatura é uma forma de humanização”, diz a professora de literatura Vanessa Máximo.

Autores

  • Estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Libero e junto com o seu grupo - Juliana Moreira, Beatriz Mansur, Alice Machado, Fernanda e Estela Sanfelice - fez uma matéria sobre o fenômeno de indivíduos lerem mais sobre leituras de prazer do que as leituras criticas.

  • Estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e junto com o seu grupo - Ana Flávia Monaro Rossi, Beatriz Mansur, Alice Machado, Fernanda e Estela Sanfelice - fez uma matéria sobre o fenômeno de indivíduos lerem mais sobre leituras de prazer do que as leituras criticas.

  • Estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e junto com o seu grupo - Ana Flávia Monaro Rossi, Beatriz Mansur, Juliana Moreira de Oliveira, Fernanda e Estela Sanfelice - fez uma matéria sobre o fenômeno de indivíduos lerem mais sobre leituras de prazer do que as leituras criticas.

  • Fernanda Rhomberg

    Estudante de jornalismo na faculdade Cásper Líbero

  • Beatriz Mansur Cavalcanti Brenha

    estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e junto com seu grupo - Ana Flávia Monaro Rossi, Alice Machado, Juliana Moreira de Oliveira, Fernanda e Estela Sanfelice - fez uma matéria sobre o fenômeno de indivíduos lerem mais sobre leituras de prazer do que as leituras criticas.

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Ana Flávia Monaro Rossi

<blockquote>Estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Libero e junto com o seu grupo - Juliana Moreira, Beatriz Mansur, Alice Machado, Fernanda e Estela Sanfelice - fez uma matéria sobre o fenômeno de indivíduos lerem mais sobre leituras de prazer do que as leituras criticas.</blockquote>