quarta-feira

15-abril-2026 Ano 2

Silêncio global: a omissão mundial diante o governo Trump

Donald Trump exerce a presidência dos Estados Unidos adotando decisões que interferem na soberania de outros países. Mas a comunidade internacional tem optado pela extrema cautela ou pelo silêncio. A diplomacia global está em xeque.
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Donald Trump retornou ao governo dos Estados Unidos, no dia 20 de janeiro de 2025, depois de uma eleição na qual ele ganhou a confiança de seus eleitores a partir do bordão “Make America Great Again”. O recado era claro: governar em prol dos cidadãos norte-americanos. Na prática, Trump adotou uma postura nacionalista e radical, principalmente no campo da política exterior. Um estudo publicado pela Lua Nova: Revista de Cultura e Política analisa como a forma de Trump governar, denominada “trumpismo”, se assemelha com a antiga doutrina Monroe, responsável por justificar as intervenções americanas em outros países de acordo com os interesses americanos nos anos 1823. 

O presidente norte-americano adota atitudes de interferência na estrutura global, muitas vezes, violando normas do direito internacional e sempre para atender aos seus interesses. Até aí nada de extraordinário, mas o que surpreende é que Trump tem passado impune por qualquer situação, incluindo as mais sérias como o conflito entre Israel e Palestina, a invasão à Venezuela e ao Irã. Ele pode tudo?

Donald Trump em reunião usando boné propagandístico do movimento “Make America Great Again”.

Em entrevista à Agenzia, o professor de geopolítica Ricardo Marcílio comentou sobre o conflito entre Israel e Palestina para exemplificar o que está se passando pelo mundo: “Caso países influentes decidissem ajudar a Palestina, eles poderiam se opor muito ao pensamento norte-americano, e querendo ou não, hoje os países europeus ainda dependem muito economicamente e militarmente dos Estados Unidos”. Mas isso não impediu que algumas nações europeias passassem a reconhecer a Palestina como território independente, como Inglaterra, França, Espanha e Noruega.

No dia 3 de janeiro, o exército dos Estados Unidos invadiu a Venezuela, prendendo o presidente Nicolás Maduro. Nos primeiros dias, Trump chegou a se autointitular “presidente interino da Venezuela por tempo indeterminado”. Esta operação foi mais criticada do que elogiada pela comunidade internacional. Alguns países consideraram a intervenção como o fim de uma ditadura, mas muitos líderes alertaram que os EUA agiram apenas por interesse econômico no petróleo venezuelano. ”Uma coisa  não necessariamente anula a outra, sim, o Nicolás Maduro já estava há um tempo fazendo uma ditadura na Venezuela. Agora, partir do princípio  de que os Estados Unidos fizeram essa intervenção porque eles eram um governo autoritário, já é considerado um erro”, acrescentou Marcílio.

No dia 28 de fevereiro, o exército norte-americano realizou ataques coordenados a diversas bases militares iranianas, com um desses ataques resultando na morte de Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Mas antes do ataque Trump teve seu nome ligado ao caso do multimilionário assediador Jeffrey Epstein, gerando uma grande polêmica nos EUA. Por conta disso, muitos acreditam que tudo foi apenas uma tentativa de Trump de mudar o foco da população. 

“O Irã já vinha passando por grandes manifestações, mas não acho que por isso os americanos tinham a intenção de tirar o Ali Khamenei naquele momento. E somado a isso, a questão do caso Epstein. Talvez tenha sido um meio para tentar contornar o assunto. A grande questão é que o Trump achava que seria um pouco mais fácil do que de fato está sendo”, afirmou Marcílio.

Após o ataque sofrido pelo Irã, o país até então confirmado na Copa do Mundo declarou que não participaria mais do campeonato caso os seus jogos aconteçam nos Estados Unidos como foi definido pelo sorteio da Fifa. Atualmente o Irã aguarda uma resposta da organização a respeito de sua solicitação para transferência dos jogos para o México e afirma que, caso não haja a mudança, o país manterá a decisão de ficar de fora da Copa.   

O professor de geopolítica afirma que ”esporte e geopolítica sempre caminham juntos, especialmente em grandes eventos esportivos”. Isso se mostra em diversos momentos, como em 2022, a Copa do Mundo aconteceu no Catar, país envolvido em polêmicas a respeito do respeito aos direitos humanos. Situações como essa são chamadas de sportswashing, que é quando um país tenta “lavar” sua imagem pelo esporte, algo que, de acordo com o próprio Ricardo Marcílio, deve ocorrer na Copa do Mundo de 2026 nos EUA.

Trump defende que os EUA deveriam se tornar independentes economicamente do resto do mundo, e para atingir isso impôs um dos maiores tarifaços da história, abalando a economia mundial. Nesse caso, muitos países afetados tomaram medidas contra as tarifas americanas, sendo a China um grande destaque nesta resposta. 

Depois de 1 ano, em 2 de abril do ano passado, Trump iniciou um tarifaço global contra o resto do mundo. As taxas de importação do presidente foram derrubadas pela Suprema Corte e o resultado disso foi um déficit comercial indiferente, com a importação de bens em 2025 sendo apenas 4% maior que em 2024. Na reportagem da NPR, Erica York, a vice-presidente de política tributária federal da Tax Foundation, afirma que as tarifas mudaram mais de 50 vezes desde o Dia da Libertação”, o que gerou uma baixa criação de empregos no ano passado, além da decadência da progressão econômica americana.

Essa movimentação mostra, como é tratado no artigo “Dominação sem hegemonia e os limites do poder mundial dos Estados Unidos” do Caderno CRH da UFBA, como este não é um caso isolado e como os EUA sempre tiveram a intimidação mundial como estratégia política.  

Quando perguntado sobre a desinformação presente no governo Trump, Ricardo Marcílio falou sobre a forma do ocidente fazer política no trecho, “você não vê o Putin colocando notícias no X, muito menos a China”, algo que Donald Trump faz diariamente. Além disso, ele apontou como Donald Trump entendeu a forma como esse “mundo da pós-verdade” funciona, onde o mais importante é o impacto de uma notícia e não sua veracidade, assim, refletindo diretamente na sua política exterior, pois ao não saber a veracidade de algo dito por Trump, outros governos não conseguem reagir eficientemente.

Otavio Fonseca Rocha, 25 anos, profissional da área financeira, vê com pessimismo a situação para o futuro próximo, porque as influências dos Estados Unidos ainda são globais. ”Tudo que eles fazem reflete no mundo todo. Com os EUA migrando para uma postura mais agressiva, a situação global, principalmente para quem está na América Latina, tende a piorar no futuro”, arrisca prever Rocha. “Estou preocupado com as eleições brasileiras e com a pressão que os EUA podem exercer aqui.”

 Para Ricardo Marcílio, em momentos de insegurança e incerteza, ele tem um recado aos mais jovens: “É muito importante vocês se engajarem, inclusive, com política, para que possam entender exatamente o que está acontecendo. Manifestem-se pelos seus direitos, está na mão da geração de vocês lutarem por isso. São as pessoas mais ativas e engajadas nas redes sociais para promoverem as mudanças necessárias”.

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Gustavo Oliveira