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4-abril-2026 Ano 2

Portuguesa: entre glórias, tragédias e a luta para continuar

Do céu ao inferno: a queda da Portuguesa e os bastidores de uma crise histórica. Por Caio Santos, Gabriel Sanches,…
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Do céu ao inferno: a queda da Portuguesa e os bastidores de uma crise histórica.

Por Caio Santos, Gabriel Sanches, Giulia Coradi, Luiza Liberali, Pedro Burin e Verônica Colli

Imagem do escudo do time Portuguesa
Escudo da Portuguesa.

No futebol, uma temporada inteira pode ser decidida em 90 minutos. Às vezes, em um único lance. Mas a queda da Associação Portuguesa de Desportos não aconteceu exatamente dentro de campo. Em 2013, o clube paulista terminou o Campeonato Brasileiro acreditando que havia escapado do rebaixamento. O empate contra o Grêmio parecia suficiente para garantir a permanência na Série A. No Canindé, a sensação era de alívio.

Dias depois, tudo mudou.

A escalação irregular do jogador Héverton levou o caso ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que puniu a Portuguesa com a perda de quatro pontos. A decisão alterou a classificação final e colocou o clube na zona de rebaixamento. O episódio ficou conhecido como Caso Héverton e se tornou um dos momentos mais polêmicos do futebol brasileiro.

“O caso Héverton nunca vai se tornar apenas história. Ele sempre vai estar na lembrança de todo lusitano”, afirma o torcedor Eduardo Martins, de 19 anos. Para ele, o impacto daquele episódio ainda é sentido hoje. “Se a Portuguesa está jogando Série D hoje e ficou quase uma década na A2 do Paulista, isso tem muita relação com aquele caso.”

Nos últimos anos, a Portuguesa tenta reorganizar sua estrutura e buscar novos caminhos. Segundo reportagem a Gazeta Esportiva, publicada em 20 de dezembro de 2024, sobre a nova fase administrativa do clube, o projeto da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) busca reorganizar as finanças da Portuguesa e criar novas fontes de receita, mesmo diante de dívidas que ultrapassam R$ 500 milhões.

A proposta inclui a modernização do estádio do Canindé e a profissionalização da gestão. Para o torcedor Sergio Vicente, o caminho é longo, mas possível. “A Portuguesa dificilmente vai competir com os maiores clubes do País. Mas pode voltar a ser um time médio, que disputa Série A e Série B com frequência”, troce. 

“A Portuguesa ensinou a gente a sofrer, mas essa dor não vai virar apenas história; ela caminha com cada lusitano como uma lembrança ativa, especialmente agora que buscamos a reconstrução e o retorno às divisões de elite. Se o clube está na Série D hoje, afastado há mais de uma década do topo, sabemos que é reflexo de injustiças que machucaram muito, mas que também nos ensinaram a ter o pé no chão e a jogar com seriedade, sem soberba.

Essa paixão é uma herança do meu pai é algo que pretendo passar para os meus filhos. Quero que eles sintam o que vivi na época da ‘Barcelusa’, aquele otimismo de ir ao Canindé lotado não para ver se íamos ganhar, mas de quanto iríamos ganhar. É um sentimento de orgulho que precisa ser profissionalizado e modernizado para que as próximas gerações vejam a Lusa recuperar seu protagonismo e o respeito que nunca deveria ter perdido. Ser Portuguesa é carregar essa história, com toda a sua carga de superação, e manter viva a esperança de dias melhores.”

Um clube da comunidade

Fundada em 1920, em São Paulo, a Portuguesa nasceu da união de clubes ligados à comunidade portuguesa da cidade. O escudo com a cruz de Avis e as cores verde e vermelho remetem diretamente à bandeira de Portugal. Ao longo do século XX, a Lusa conquistou títulos importantes e revelou jogadores marcantes para o futebol brasileiro.

Para muitos torcedores, a relação com o clube atravessa gerações. “Eu comecei a torcer em 1979, quando meu pai me levou pela primeira vez ao Canindé. A Portuguesa venceu o Taubaté por 3 a 0. Na Portuguesa é muito assim: passa de pai para filho”, lembra Sérgio Martins, um torcedor de 54 anos que frequenta o estádio desde a infância.

Segundo o lusitano Martins, o ambiente no clube era muito diferente nas décadas passadas. “Nos anos 1980 e 1990 o Canindé tinha muito mais movimento. As piscinas do clube eram cheias, o estádio bem cuidado e a torcida comparecia em maior número.”

A promessa interrompida

Nos anos 1990, um jovem jogador fez a torcida acreditar novamente no time. Dener Augusto de Sousa surgiu nas categorias de base da Portuguesa e ganhou destaque após grandes atuações na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1991. Seus dribles e criatividade chamaram a atenção de todo o País.

Mural de ídolos no Canindé
Mural de ídolos, no Estádio do Canindé.

Mas a trajetória promissora foi interrompida em 1994, quando o jogador morreu em um trágico acidente de carro. “A trajetória dele na Portuguesa foi curta. A gente poderia ter visto muito mais do Dener, não só no clube, mas no futebol brasileiro”, afirma Sergio.

A última grande alegria

Em 2011, a Portuguesa voltou a viver um outro momento de esperança. O clube conquistou o título do Campeonato Brasileiro Série B com uma campanha histórica e um futebol ofensivo que rendeu ao time o apelido de “Barcelusa”. “A Barcelusa foi o momento mais próximo que minha geração teve de sentir a Portuguesa grande de novo”, lembra Eduardo.

O erro que mudou tudo

Dois anos depois veio o episódio que marcaria a história recente do clube. “Foi um choque muito grande para a torcida”, lembra Sergio Martins. “A gente ainda teve esperança de reverter, mas aquilo foi um baque enorme para a instituição.”

Para ele, os problemas da Portuguesa vão além de um único episódio. “A história do clube também foi marcada por má gestão e falta de organização ao longo dos anos.”

Torcedora "Ana" da Leões da Fabulosa
Torcedora Ana, da Leõs da Fabulosa.

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